Bullying segundo Olweus, o pioneiro dos estudos

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Já coloquei algumas definições de bullying, segundo vários autores.

Apresento a seguir a definição de Dan Olweus, o pioneiro no estudo sistematizado do bullying.  Ele realizou uma pesquisa ampla na Noruega, após a imprensa noticiar, em 1982,  o suicídio de três adolescentes, com grande probabilidade de serem consequência do bullying que sofriam de seus pares.

Sua primeira pesquisa se baseou em um questionário aplicado a todos os alunos da Noruega, com uma participação de 85% da população estudantil do país .  Sua amostra constituiu-se de 130 mil alunos, de 830 escolas.

No mesmo ano realizou um estudo paralelo usando o mesmo questionário com 17 mil alunos do terceiro ao nono ano, em três cidades da Suécia.

Seus estudos indicam que 15% dos alunos noruegueses estavam envolvidos em problemas de bullying, como vítimas ou agressores.  Aproximadamente 9% eram vítimas (52 mil alunos) e 7% (41 mil alunos) eram agressores ou bullies.  Nove mil alunos (1.6%) eram vítimas e agressores.

Traduzo agora sua definição de bullying, do livro Bullying at School (Blackwell Publishing, EUA, 1993).

“Defino bullying ou vitimização da seguinte forma geral: Um estudante está sofrendo bullying ou sendo vitimizado quando é exposto , repetidamente e durante um tempo, a ações negativas de um ou mais estudantes.

O significado da expressão ‘ações negativas’ deve ser melhor especificado.  Uma ação é negativa quando alguém intencionalmente inflige, ou tenta infligir, dano ou desconforto em outro - basicamente o que está implícito na definição de comportamento agressivo (Olweus, 1973b).  As ações negativas podem ser através de palavras (verbalmente), por exemplo, ameaçando, ”pegando no pé’, gozando e dando apelidos.  Também é uma ação negativa quando alguém bate, empurra, chuta, belisca ou contém alguém – por contato físico.  Também é possível realizar ações negativas sem o uso de palavras ou contato físico, como fazer caretas ou gestos, excluir intencionalmente alguém de um grupo, ou recusar-se a obedecer à vontade  da pessoa.

Embora um único caso de um assédio mais sério possa ser visto como bullying em certas circunstâncias, a definição dada acima enfatiza ações negativas que são realizadas repetidamente durante um tempo.  A intenção é excluir as ações negativas menos importantes e ocasionais que são dirigidas contra um aluno numa ocasião e contra outro numa ocasião diferente.

…Deve ser salientado que o termo bullying não é (ou não deve ser) usado quando dois alunos de força aproximadamente igual (física ou psicológica) estão brigando ou discutindo.  Para usar o termo bullying deve haver um desequilíbrio de forças (uma relação assimétrica de poder): O aluno que é exposto a ações negativas tem dificuldade para se defender e de alguma forma está desamparado em relação ao aluno ou alunos que o molestam.

É preciso distinguir entre bullying direto – com ataques relativamente abertos contra a vítima- e bullying indireto na forma de isolamento social e exclusão intencional de um grupo.  É importante prestar atenção a esta forma menos visível de bullying.

Neste livro uso as expressões bullying, vitimização e problemas bully/vítima com mais ou menos o mesmo significado.”

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